Os 50 anos de experiência no manejo do gado leiteiro indicam para Dona Sueli Bavoso, proprietária da Chácara Rivieira, em Castro, que é hora de mudar. Sua propriedade foi uma das beneficiadas com a instalação de uma esterqueira, adequada às boas práticas ambientais. “A gente tem que caminhar pra frente, acompanhar as mudanças, senão fica pra trás”, diz. A instalação das esterqueiras soma esforços da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), da Frísia Cooperativa Agroindustrial e dos próprios bovinocultores. O objetivo principal da iniciativa é evitar a contaminação do solo, dos lençóis freáticos e dos mananciais.

O Acordo de Cooperação Técnica entre a Sanepar e a Frísia foi assinado no ano passado, por meio do Programa Fundo Azul, desenvolvido pela Companhia. Para receberem ajuda na implantação das esterqueiras, num primeiro momento foram selecionadas 15 pequenas propriedades, localizadas nas bacias hidrográficas dos rios Piraizinho, São João, São Cristóvão e represa de Alagados, todos mananciais de abastecimento público. São 9 propriedades beneficiadas em Carambeí, 5 em Castro e 1 em Piraí do Sul. “É uma parceria importante, que pode servir de modelo a iniciativas com outras cooperativas do Estado”, avalia a gerente de Recursos Hídricos da Sanepar, Ester Mendes.

A Sanepar ficou responsável pelo fornecimento de materiais e insumos para construir as esterqueiras, incluindo a instalação da geomembrana, e a Frísia somou todo o seu know-how de tecnologia, desenvolvimento do projeto e orientação aos produtores. “O produtor recebe os insumos e precisa adequar sua propriedade para encaminhar os dejetos dos animais para a nova esterqueira”, explica o gerente de Educação Socioambiental da Sanepar, Rafael Leite, em visita técnica às propriedades. Até agora, cinco delas já estão com a nova esterqueira implantada e outras três estão escavadas. Se o clima ajudar, a previsão é de que todas as esterqueiras estejam prontas no mês que vem.

Boas práticas – Com isso, os pequenos bovinocultores contemplados, orientados pela Cooperativa, adotam boas práticas ambientais, se antecipando a uma futura exigência da legislação. Assim eles preservam o meio ambiente e ainda diminuem seus custos operacionais, ao reduzirem o consumo de fertilizantes. “Em 2018, o Paraná editou a primeira legislação vinculada a atividade de bovinocultura de gado de leite e de corte no Estado. A partir daí, definiu-se diretrizes para o manejo do gado, do dejeto e da água da propriedade. Foi então que a Cooperativa Frísia começou a instruir os produtores rurais para fazer a regularização, para que todos os produtores de leite estejam licenciados, habilitados. No caso daqueles enquadrados como pequenos produtores, que têm também menor poder aquisitivo, buscamos a parceria com a Sanepar para a adequação das esterqueiras”, conta Jean César Andrusko, analista do setor ambiental da Frísia.

A seleção das propriedades entre os cooperados levou em conta o porte, a localização em área de manancial e a inadequação no lançamento de dejetos, seja pelo déficit de capacidade, impermeabilização insatisfatória ou ausência de esterqueira. Com a implantação da esterqueira dentro dos padrões técnicos e ambientais, “é possível centralizar o dejeto num único lugar, melhorar o manejo e ter um tempo de retenção suficiente para usar esse dejeto como biofertilizante, além de trazer o benefício ambiental para a qualidade da água, para a qualidade do solo e para todo o entorno das propriedades rurais”, afirma o analista.                                                                   

Na prática – Os ganhos na rotina de trabalho já têm sido percebidos pelo produtor Marcelino Mondel. Ele foi um dos primeiros a instalar a nova esterqueira em sua propriedade, a Chácara Ita, em Carambeí. Com o uso do biofertilizante estabilizado na esterqueira, pode reduzir pela metade o consumo de adubo químico na lavoura, e aumentar a produção de milho. Ele conta que com a maior capacidade de estocagem na esterqueira, pode planejar a melhor data para aplicação do adubo. “Antigamente eu tinha uma fossa pequena, que a cada 15 dias tinha que esgotar, não tinha opção, com ou sem chuva. Então veio esse projeto, e hoje eu posso entrar com estratégia na lavoura. Não temos mais risco de o material ser levado com a chuva, está tudo aqui, acondicionado. Acabou com o retrabalho, economizando tempo e mão de obra. Todo mundo saiu ganhando. O meio ambiente, e eu também, que posso ter mais uso desse material, com consciência ambiental. Vamos depositar um adubo que já teve tempo de saturação de 120 dias, o que garante uma ação mais rápida na lavoura, sem contaminar o rio, nem perder o adubo”, conclui.

Fonte: Assessoria de Imprensa Sanepar