Já estão em operação, em municípios da região dos Campos Gerais, duas usinas de biogás, construídas pela Castrolanda e pela Unium. Somadas as produções, eles têm capacidade de produzir 15,6 mil m³ diários de biogás, e têm potência instalada de 1,4 MW. Além de ser um investimento que preza pela sustentabilidade, a longo prazo ele trará economia às cooperativas envolvidas. Com suas operações, foram geradas três vagas de emprego diretas, além de diversas outras indiretas.

Um dos investimentos é realizado pelo grupo Unium, projeto conjunto das cooperativas Castrolanda, Frísia e Capal. Construída em Castro, ao lado da Alegra Foods, esta usina recebeu o aporte de R$ 14,5 milhões. Com uma capacidade instalada de 1,2 MW, ela tem capacidade de produzir 550 m³/hora de biogás, o que corresponde a 13,2 mil m³ ao dia. Já a usina pertencente à Castrolanda foi construída na Unidade de Produção de Leitões (UPL) de Piraí do Sul, com um investimento de R$ 4 milhões. Ela possui um biodigestor com potência instalada de 230 kW, com produção de 100 m³ por hora (2,4 mil m³/dia) de biogás.

A escolha dos locais para instalação foram estratégicas, mediante a disponibilidade da matéria-prima para alimentar o biodigestor. A instalada ao lado da fábrica da Unium produz biogás através dos resíduos do frigorífico da Alegra, enquanto que o localizado ao lado da UPL utiliza dejetos suínos como matéria-prima. Conforme detalha Gilvan Plodowski, engenheiro florestal da Castrolanda, no biodigestor da Unium, os resíduos oriundos do frigorífico Alegra chegam por tubulação, ou seja, a alimentação é contínua. Os demais resíduos são transportados por caminhão e recebidos em uma área de recebimento de resíduos sólidos e efluentes.

Segundo ele explicou, entre as vantagens, está o pay-back (retorno) entre 6 e 18 anos, conforme os cenários. Mas, acima de tudo, há benefícios ambientais. “Com os biodigestores formamos uma economia cíclica dentro de nossas atividades produtivas, aproveitando resíduos de produção e gerando energia limpa, emprego, renda e retorno financeiro para as cooperativas. Nosso principal objetivo é atender ao princípio da sustentabilidade, sem deixar obviamente de buscar o retorno financeiro no menor período possível”, ressaltou. Cabe destacar que ambas já estão em operação, produzindo biogás, porém ainda não geram energia elétrica, porque ainda dependem do comissionamento por parte da Copel.

Sobre a utilização da energia, Plodowski informa que o biogás produzido passa por processo de refino, gerando biometano, o qual alimenta motogeradores que geram energia elétrica. “No biodigestor da Unium a geração de energia foi alugada a um parceiro. Na usina da Castrolanda em Piraí, parte da energia gerada alimenta nossa Unidade de Produção de Leitões, enquanto outra parte será destinada a geração de créditos nas faturas de energia elétrica do Sicredi, através de consórcio formado pelas cooperativas”, explica.

Novos aportes são previstos para os próximos anos

Os investimentos, contudo, não param por aqui.  Segundo informou Gilvan Plodowski, novos investimentos estão previstos para os próximos anos. “Há a previsão de investir em mais usinas, visando abranger aos cooperados na cadeia de produção de biogás. Porém, ainda não temos estimativas de valores a serem investidos”, adiantou. Um dos locais escolhidos para esta expansão é justamente onde está a usina já pertencente às cooperativas. “Na planta da Unium, a intenção é expandir implantando novos módulos ao lado da usina já existente”, informa.

Tecnologia

A tecnologia escolhida para os biodigestores é do tipo CSTR (Continuous-flow Stirred Tank Reactor). O biodigestor CSTR é baseado num fluxo semi-contínuo de entrada de biomassa fresca misturada de forma contínua e otimizada nos digestores, que trabalham em temperatura controlada, gerando uma alta produção de biogás. “Na saída do processo temos o digestado, um biofertilizante rico em nutrientes. O Biogás gerado passa então por uma biorrefinaria, que separa o metano e o CO2 e retira o H2S”, informa o engenheiro da cooperativa.

Fonte: A Rede